Para a AFRY, novas tecnologias, processos e digitalização serão fundamentais para ajudar o setor a acelerar a transição para uma mineração mais sustentável. Tendências como descarbonização da indústria, circularidade, disposição a seco, redução do consumo de água e eficiência energética foram confirmadas durante a PDAC 2025, que também debateu fortemente a importância dos minerais críticos para a transição energética.
Conciliar uma demanda global cada vez maior à necessidade de uma mineração ambientalmente sustentável é o maior desafio que o setor enfrenta atualmente. Para a AFRY – empresa europeia líder em serviços de engenharia, projetos e consultoria –, a solução para esse dilema se apoia em novas tecnologias, circularidade e melhorias na eficiência energética e hídrica.
“As empresas de mineração enfrentam desafios complexos para alcançarem as metas de ESG, o que torna o envolvimento de todas as partes interessadas - desde os estágios iniciais de um projeto mineral até os planos de fechamento de uma mina - essencial para o sucesso de qualquer empreendimento”, afirma Henrique Oliveira, diretor de negócios em Mineração e Metais da AFRY no Brasil.
Em sua visão, a busca por soluções com foco em descarbonização, circularidade e disposição de rejeitos, métodos de disposição a seco, redução do consumo de água e melhoria na eficiência energética integram a agenda das mineradoras em todo o mundo, além das questões ligadas a todas as etapas do licenciamento ambiental. “São temas que estiveram na pauta de conversas com mineradoras que possuem projetos tanto no Brasil quanto em outras regiões, de minérios como níquel, cobre, ouro e ferro”, conta.
Essas tendências foram confirmadas durante a PDAC 2025, maior convenção do mundo do setor mineral, que reuniu mais de 27 mil pessoas de 135 países e cerca de 1.100 empresas entre mineradoras, financiadores, empresas de engenharia e consultoria para discutir competitividade, inovação, sustentabilidade, acesso a capital e habilidades para exploração e desenvolvimento mineral. O evento aconteceu entre os dias 2 e 5 de março, em Toronto, no Canadá.
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“Observamos ainda um foco muito grande na digitalização dos processos e no uso da inteligência artificial, além da apresentação de equipamentos para a melhoria da eficiência operacional das plantas, de forma totalmente alinhada à nossa visão de fazer o futuro e a missão de acelerar a transição para uma sociedade mais sustentável”, ressalta Oliveira, que participou da PDAC.
Ele destaca que o tema ESG foi extensamente debatido, deixando clara a disposição de todo o ecossistema mineral em atender às exigências dos órgãos regulatórios e de avançar no cumprimento das metas de sustentabilidade, tendência confirmada durante os encontros de atualização dos diversos projetos de clientes que a AFRY realizou durante o evento.
Para fazer frente ao aumento dos custos dos projetos e a dificuldade de acesso ao capital para a sua viabilização, a AFRY tem atuado na definição de tecnologia e na definição dos processos a serem adotados, inclusive para ajudar as mineradoras a captarem recursos junto aos investidores. A parceria com países como a Finlândia e a Suécia, na divulgação das formas de financiamento oferecidas pelos países nórdicos, é muito relevante para a execução dos projetos, segundo Oliveira. Ressalta ainda que os países nórdicos detêm mais de 80% da tecnologia do setor mineral, o que classifica a AFRY como uma empresa de engenharia que está na vanguarda deste conhecimento, agregando valor aos projetos de minerais ferrosos e metais básicos em todo o mundo.
Outro aspecto importante debatido na PDAC foi a necessidade de aprofundamento da comunicação com as comunidades onde os projetos de mineração são realizados. Para o diretor da AFRY, esse diálogo é fundamental, principalmente em um país com condições regionais tão diversas como o Brasil, de forma a viabilizar os projetos.
“As questões que envolvem um projeto na região Norte, por exemplo, são bem diferentes daquelas do Sul ou Sudeste, que têm graus de complexidade menores. “A área de meio ambiente da AFRY pode contribuir muito para apoiar os clientes na obtenção das licenças prévias e de implantação, consultoria e auditorias ambientais, considerando todos os requisitos e condições técnicas de acordo com as regiões, e apoiá-los durante todo o processo de licenciamento”, explica. Acrescenta ainda que a AFRY executou mais de 200 estudos de meio ambiente na última década, com mais de 60 projetos licenciados em 13 estados brasileiros.
Sobre os minerais críticos para a transição energética, tema bastante discutido na PDAC, Oliveira ressalta que o Brasil está avançando rapidamente para se tornar um grande produtor de minerais como cobre, níquel, cobalto, lítio e grafite, com importantes projetos em fase de desenvolvimento e implantação. A AFRY atua globalmente em toda a cadeia, desde a exploração até a reciclagem na indústria, incluindo serviços de consultoria e engenharia na fase de exploração, processamento mineral e hidrometalurgia, processo químico e uso e produção final dos produtos como baterias até a reciclagem destes produtos.
Além dos minerais críticos para a transição energética, os projetos de terras raras têm grande relevância diante da entrada em produção de novos projetos em fase de desenvolvimento, o que coloca o Brasil como um futuro importante fornecedor destes minerais. “Hoje, a China é responsável por mais de 70% da produção de terrar raras no mundo. O Brasil detém cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, e quando os projetos estiverem concluídos o Brasil pode responder por cerca de 30% da produção global.”